quarta-feira, 12 de outubro de 2011

GENTE NOSSA, COM VALOR... PEDRO EMANUEL


PEDRO EMANUEL PUBLICOU "O MAGRIÇO"...
Pedro Emanuel (natural de Gonçalo)
Caros Amigos,
Partilho convosco um artigo escrito sobre uma publicação de que é autor o nosso conterrâneo Pedro Emanuel...  Do Pedro recordo a amizade e um talento natural para as a pintura e para o desenho que impressionava todos os amigos da nossa geração. Lembro, muitas vezes, as brincadeiras e os bons momentos vividos com muitos amigos de sempre... o Vitor Camilo, o João Camilo, o Paulo Gomes, o Luís Robalo, o João Monteiro (filho do GNR)... e tantos outros...
Mais tarde, viemos a reencontrar-nos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra... o Pedro em Filosofia e eu em Línguas e Literaturas... Esta semana tive a felicidade de descobrir na net este artigo que me  fez sentir orgulhoso do meu amigo de infância e da minha terra...
Fica, agora, a faltar a história de Gonçalo em BD... Quem sabe um dia!




"O Magriço (revisitado)
Aventuras de um cavaleiro beirão dos tempos de Aljubarrota, em edição de Banda Desenhada da Quartzo Editora e Câmara Municipal de Penedono

No âmbito do nosso trabalho em prol da Banda Desenhada por terras de Viseu, cumpre-nos registar a recente edição da Quartzo (Editora viseense a dar os primeiros passos nesta área) na difícil área editorial da Banda Desenhada. Conjugaram-se esforços que se materializaram neste álbum de aventuras cavaleirescas com raízes na 
Lenda e na História medievais e nestas terras da Beira.
“O Magriço”, com desenhos de Pedro Emanuel, narra as aventuras do cavaleiro Álvaro Gonçalves Coutinho, ilustre filho de terras de Penedono, ligado à lenda dos Doze de Inglaterra, episódio relacionado temporalmente com a célebre saga da Ala dos Namorados, brilhantemente retratado anteriormente em banda desenhada pela mão de José Manuel Soares com o título “A ala dos namorados “ ( Antologia da BD Portuguesa, n.º 15, Edições Futura 1985, reedição de história publicada no cavaleiro Andante entre 3/3/1956 e 6/10/1956, e onde se faz referência ao grande cavaleiro conhecido por “magriço”), facto que se integra no período conflituoso de guerra da independência contra Castela (Crise de 1383-85).
O episódio dos Doze de Inglaterra, onde se evidencia o papel do cavaleiro “Magriço”, é um exemplo do espírito reinante na época medieval de exaltação dos valores da cavalaria, e que alimentavam o imaginário popular, proporcionando o aparecimento das novelas de cavalaria e de heróis apostados em dar a vida pela defesa da honra e da Pátria. Os cavaleiros que formaram o grupo que partiu em demanda até Inglaterra por alturas de 1390, para defenderem a honra de um grupo de damas ultrajadas, eram originários das terras beirãs, onde se destacava o “Magriço”, cavaleiro que se viria a notabilizar pela sua valentia e bravura em combate e em torneios. O episódio chegou a ser imortalizado por Camões em “Os Lusíadas” (canto I e Canto VI). Embora envolto em lenda, não se pode contestar que o “Magriço” existiu e se notabilizou com altos feitos guerreiros no país e no estrangeiro, como prova a carta de privilégios e concessões passada aos mercadores portugueses em Gand (Flandres) em 1411, por serviços prestados ao Conde da Flandres pelo famoso cavaleiro.
Pedro Emanuel S. Fernandes, natural da Guarda mas a residir em Viseu, apresenta-nos neste álbum um cavaleiro de estirpe, nobre imbuído do mais puro heroísmo e espírito de cavalaria, que respeita solenemente a posição paterna de que “o ultraje é coisa que se paga no gume da espada”. Os ambientes naturais, ou edificados, os gestos que os constroem, os rostos modelados pelo tempo, as tradições que correm risco de extinção são as temáticas preferidas deste jovem autor de bd. Este “Magriço” que nos é representado revela um rosto jovem mas vincado, decorado por aristocrática barba de respeito, fazendo lembrar outro herói desse tempo valoroso, o famoso e contemporâneo Nuno Álvares Pereira, o santo Condestável, e preenche a maioria das vinhetas que transbordam de cores exuberantes e ambientes rudes como as ásperas pedras do castelo de Penedono, imagem iconográfica destas terras recheadas de História.
De traço modesto, simples na composição, por vezes até ingénuo, este trabalho, de inegável importância pedagógica, tem a particularidade de apelar à descrição do essencial, emprestando algum destaque aos que representam na história os grupos mais humildes e não privilegiados da sociedade, os rostos rudes das gentes habituadas às dificuldades de uma vida de risco e de luta pela sobrevivência, num interior afastado dos centros de decisão e da vida de luxo e excitação vivida na corte. A mancha de cores predomina sobre o pormenor dos desenhos, recorrendo predominantemente à aguarela primária para a invocação dos ambientes e dos cenários característicos, com respeito pela preservação da memória e do património histórico, material e imaterial.
Nas palavras do senhor Presidente da Câmara Municipal de Penedono, Carlos Esteves de Carvalho, esta publicação de banda desenhada assume-se como um instrumento de excelência para engrossar a parca documentação histórica sobre Álvaro Gonçalves Coutinho, o “Magriço”, ilustre filho de Penedono, como também servirá de elemento de preservação e divulgação para as gerações vindouras de um património identificador de uma região e de uma população rica de Cultura e de História.
O nosso bem-haja a todos quantos tornaram possível a edição de mais esta obra de banda desenhada de âmbito local(que tem apresentação pública no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu), em particular à editora Quartzo, por se ter aventurado num panorama de risco editorial que hoje é o mundo editorial da bd em Portugal, e por contribuir desta forma para a narrativa em quadradinhos de mais uma parte importante da nossa história local (recordamos que ainda não existe uma História de Viseu em banda desenhada).
Carlos Almeida – Núcleo Banda Desenhada Gicav"
Publicado em revista Anim'arte, nº 81, Setembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Frank Gehry é o autor de um projecto no Concelho da Guarda (Vila de Gonçalo)

BOAS NOTÍCIAS PARA A NOSSA TERRA...

Frank Gehry com o Presidente Joaquim Valente e Alexandre Abeu
"O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Joaquim Valente, assistiu no dia 18 de Agosto, em Los Angeles, à assinatura do Contrato  entre Gehry Partners, LLP e o promotor do “Projecto  Turístico de Desenvolvimento Integrado do Vale da Gaia /Golf, Resort & Spa” – Gonçalo /GUARDA.
Frank Gehry, arquitecto de renome internacional, será o autor  de vários equipamentos como um Hotel 5***** e o Museu da Draga que fazem parte “Cegonha Negra Golf Resort &Spa” que integra também um campo de golfe com 18 buracos,  a serem construídos na Quinta da Bica
A Câmara Municipal da Guarda e a Assembleia Municipal da Guarda reconheceram  já o Interesse Municipal deste projecto que se insere na estratégia de promoção turística e dinamização económica sustentada nos seus recursos e em especial nas componentes da saúde, do ambiente  e do bem estar da Guarda.
Este projecto reveste-se da maior importância para a Guarda e para toda a região e está direccionado tanto para o mercado interno como externo.
Frank O. Gehry nasceu em Toronto, mas mudou-se com a família para Los Angeles em 1947. Estudou arquitectura na Faculdade do Sul da Califórnia e posteriormente especializou-se em design na Universidade de Harvard.Trabalhou em diversos escritórios de arquitectura e em 1962 criou sua própria empresa, a "Frank O. Gehry & Associates Inc". Dez anos depois, Gehry desenhou uma série de peças de mobiliário chamadas "Easy Edges", utilizando madeira. Desenvolveu também projectos de grande inventividade para edifícios públicos, tornando-se um dos fundadores do Desconstrutivismo, tendência na arquitectura que rompe com a tradição e resgata o papel da emoção.Vários de seus projectos tornaram-se marcos da arquitectura contemporânea, como o Museu Aeroespacial da Califórnia, o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, o Fishdance Restaurant, no Japão, e o Vitra Design Museum, na Alemanha.Entre 1990 e 1992 criou uma linha de cadeiras para a indústria Knoll, construídas com tiras de madeira sem suporte estrutural.Como um dos principais expoentes do Desconstrutivismo, Gehry ganhou muitos prémios, incluindo o Pritzker Prize em 1989. Seu edifício mais conhecido é o Museu Guggenheim em Bilbao, na Espanha, recoberto de titânio, que foi finalizado em 1997."
 
In sítio do Município da Guarda - www.mun-guarda.pt

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Gonçalo vai homemagear Maria do Carmo Borges, José Miguel Medeiros e Jorge Sampaio por ocasião das Comemorações do 16º Aniversário da sua elevação a VIla

No próximo dia 26 de Junho de 2011, na Sessão Solene Comemorativa do 16º Aniversário da Elevação de Gonçalo a Vila, serão condecorados com a Medalha de Honra da Vila, por deliberação unânime da Assembleia de Freguesia, "pelos relevantes serviços prestados em prol do desenvolvimento da Vila de Gonçalo", o Dr. Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, a Dra. Maria do Carmo Borges,  ex-Presidente da Câmara Municipal da Guarda e ex-Governadora Civil do Distrito da Guarda e o Dr. José Miguel Medeiros, ex-Secretário de Estado da Protecção Civil.
Trata-se de um gesto de demonstração de grande generosidade e gratidão do povo de Gonçalo para com três personalidades que foram fundamentais na estratégia de crescimento e de desenvolvimento da nossa terra. Ao Dr. Jorge Sampaio estaremos sempre gratos pelo seu empenho e pela sua intervenção determinante no âmbito do processo de arranque da obra do novo Quartel do Bombeiros Voluntários de Gonçalo. À Dra. Maria do Carmo Borges estaremos sempre gratos pelo facto de ter acreditado, sem hesitações, na força dos Gonçalenses, não se coibindo de apostar em investimentos verdadeiramente estruturantes de que se destaca, entre muitos outros, a construção do Edifício Cultural de Gonçalo. Ao Dr. José Miguel Medeiros estaremos sempre gratos pela sua intervenção decisiva na obtenção da nova ambulância de emergência e do novo veículo de desencarceramento para os Bombeiros Voluntários de Gonçalo.
Porque a vida é feita de sentimentos e porque a gratidão sempre caracterizou o povo de Gonçalo, penso que são imensamente justas e merecidas as condecorações que terão lugar no próximo dia 26 de Junho de 2011.
Celebrar a elevação de Gonçalo a Vila é celebrar a nossa terra e todos aqueles que, pela sua acção, ajudaram na sua construção, ao longo dos séculos.
Seria bom que todos os Gonçalenses se pudessem unir em torno desta data verdadeiramente simbólica  para o nosso desenvolvimento. 
Dada a contenção orçamental, as festas deste ano terão um programa bastante modesto que pode ser consultado em www.goncalocultural.blogsopt.com.

Um abraço amigo...

Pedro Pires

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Parabéns! Fernando Pessoa

 
 

No dia em que se assinala o 123º aniversário de Fernando Pessoa, partilho
com os meus amigos um poema de Álvaro de Campos que vale, acima de
tudo, pela sua intemporalidade... 
 
            No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,

            Eu era feliz e ninguém estava morto.

            Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

            E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

            

            No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,

            Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

            De ser inteligente para entre a família,

            E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

            Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

            Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

            

            Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

            O que fui de coração e parentesco.

            O que fui de serões de meia-província,

            O que fui de amarem-me e eu ser menino,

            O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

            A que distância!...

            (Nem o acho...)

            O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

            

            O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

            Pondo grelado nas paredes...

            O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas

            lágrimas),

            O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

            É terem morrido todos,

            É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

            

            No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

            Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

            Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

            Por uma viagem metafísica e carnal,

            Com uma dualidade de eu para mim...

            Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

            Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

            A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,

            O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,

            As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, 

            No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


            Pára, meu coração!

            Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

            Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

            Hoje já não faço anos.

            Duro.

            Somam-se-me dias.

            Serei velho quando o for.

            Mais nada.

            Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

            O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!... 
 
                                                                                              Álvaro de Campos

quinta-feira, 9 de junho de 2011

António José Seguro... "o senhor que se segue"...

António José Seguro (PS)

A confirmar-se a intenção de António José Seguro se candidatar à liderança do Partido Socialista contará, certamente, com o meu voto!
Entrei para a Juventude Socialista em 1998, inspirado pela figura aglutinante de António Guterres que foi, aliás, para mim, um verdadeiro líder, um homem ponderado, humano, pleno de um conjunto princípios e valores ético-morais que, indubitavelmente, definem, ainda hoje, a sua personalidade...
Do PS desse tempo todos recordamos duas figuras bem distintas que o acompanhavam... por um lado José Sócrates, por outro António José Seguro. E, se Sócrates se revelou, ao longo da sua liderança e ao longo da sua governação, um homem frio, insensível aos valores humanos (pilares tão basilares do Partido Socialista), teimoso e, até, nalguns momentos, arrogante nas acções e nos relacionamentos (mesmo com os seus pares), a verdade é que tenho esperança que António José Seguro tenha "herdado" de António Guterres esse conjunto de valores ético-morais que lhe permitiram, nesse tempo, reconhecer nele um homem humano, sensível e dialogante. Estou, pois, perfeitamente convencido que é esta linha de princípios que definirá a actuação, a liderança e a personalidade de António José Seguro.
Não tive, como outros aqui pela Guarda, a possibilidade de conviver de perto com António José Seguro nos tempos em que foi eleito deputado pelo nosso circulo eleitoral e nos tempos em que desempenhou as funções de Secretário de Estado da Juventude ou de Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro. Ainda assim, tenho uma boa ideia de António José Seguro... acho sinceramente que será "o senhor que se segue" no Partido Socialista. Depois de tempos tão conturbados, o Partido Socialista necessita de um novo rumo, um rumo eventualmente mais social, um rumo em que se procure o encontro directo e sem rodeios com os cidadãos, um rumo de reconciliação com as pessoas... E, para isso, torna-se necessário romper com o passado... A nossa vida faz-se através de ciclos, de ciclos que se fecham e de ciclos que se abrem... Penso que não vale a pena, Francisco Assis, fazer esforço para reabrir um ciclo que José Sócrates selou definitivamente... o tempo encarregar-se-á de demonstrar que os ciclos se fecham e se abrem com naturalidade... não vale a pena forçar!
António José Seguro será, com toda a certeza, a figura capaz de inaugurar um novo ciclo no Partido Socialista, um ciclo que transpirará, através da sua própria personalidade, grande serenidade, sentido de estado, boa educação, bons princípios éticos, abertura de pensamentos e correntes internas, discussão frontal sem ensaios prévios... enfim, um ciclo que permitirá ao Partido Socialista e aos seus militantes um regresso à sua verdadeira identidade...
Se António José Seguro avançar para a corrida à liderança do PS contará, certamente, com o meu voto!...
Pedro Pires

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Obras de Requalificação da Avenida dos Cesteiros

Avenida dos Cesteiros

Depois de grande insistência da Junta de Freguesia de Gonçalo junto da Câmara Municipal da Guarda, finalmente está em curso a 1ª fase da obra de requalificação da Avenida dos Cesteiros.
Esta 1ª fase tem como objectivo a aplicação de condutas e ramais de esgoto, por forma a que se possa, depois de concluída, proceder à pavimentação e embelezamento da principal porta de entrada da Vila de Gonçalo.
É preciso que se note que esta obra foi sendo sucessivamente adiada por força da indefinição relativa à execução das condutas e ramais de esgotos, responsabilidade conjunta da empresa Águas do Zêzere e Côa e SMAS da Câmara Municipal da Guarda.
Neste momento, apesar da crise, pensamos que estão reunidas todas as condições para que a nossa Vila de Gonçalo se veja definitivamente livre dos "buracos" e possa ter uma entrada que dignifique Gonçalo e os Gonçalenses.
Mãos à obra...

Um abraço amigo.

Pedro Pires

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Resultados Eleitorais - Eleições Legislativas 2011 em Gonçalo...

Resultados Oficiais

Contrariamente ao que aconteceu no resto do país e mesmo no concelho e no distrito da Guarda, em Gonçalo a vitória esmagadora foi para o PS.
Naturalmente que importa fazer leituras de tudo o que aconteceu a nível nacional, a nível distrital e, também, a nível local.
A nível local penso que esta votação "contra ciclo" pode ser interpretada como sinal de que a maioria dos Gonçalenses entendeu a importância dos investimentos que o Governo do PS fez na nossa terra, ao longo dos últimos anos. Por outro lado, fica demonstrada uma consolidação bem alicerçada do eleitorado do PS em Gonçalo, fruto do trabalho intenso que se tem desenvolvido nas últimas décadas. Tudo isto somado justifica o alcance destes resultados que representaram a votação mais expressiva das freguesias do concelho da Guarda.
Na verdade os Gonçalenses sabem que podem contar com o apoio incondicional do PS e o PS sabe que pode contar com o apoio incondicional dos Gonçalenses.
Ao nível distrital penso que as coisas andaram mal... o PS devia ter apostado, claramente, em figuras da nossa terra, da nossa gente, para que o povo se mobilizasse, verdadeiramente. O facto de não surgir na primeira linha uma figura do concelho da Guarda foi, também, a meu ver, mais "um tiro no pé". Afinal de contas os resultados desastrosos alcançados bem podem provar o quão importante seria a presença de alguém do concelho da Guarda nos primeiros dois lugares... a Guarda vale por si... e vale muito...
Ao nível nacional faltou a humildade como valor central de campanha... Se José Sócrates tivesse sido mais humilde e tivesse reconhecido, publica e atempadamente, que nem tudo foi bem feito e que apesar de um trabalho brilhante em múltiplos sectores houve, também, como não podia deixar de ser, algumas falhas... tudo podia ter sido diferente...
Enfim... o povo decidiu e quando o povo decide a sua decisão é soberana... A Democracia é feita de alternâncias e agora é a vez do PSD e do CDS governarem...
Que governem bem... para bem de todos e para bem do país...
Ao eleitorado Gonçalense deixo uma palavra de reconhecido agradecimento pelo apoio sempre demonstrado... 
Um abraço amigo.

Pedro Pires



quinta-feira, 2 de junho de 2011

SPORT CLUBE GONÇALENSE FOI A VOTOS...

No passado dia 20 de Maio o Clube da nossa terra foi a votos...
Numa assembleia fortemente participada, a Direcção prestou contas dos seus três anos de mandato, esclarecendo todas as dúvidas aos sócios presentes.
O Presidente da Direcção, Bruno Pina, começou por fazer um breve balanço dos últimos três anos da actividade do Clube, referindo, naturalmente, as dificuldades encontradas, fruto das dívidas da anterior Direcção e apontando caminhos, novos caminhos de esperança e de crescimento para o nosso Clube que, amanhã, dia 3 de Junho, completa a bonita idade de 72 anos, sendo um dos mais antigos Clubes do Distrito e da Região.
Sobre o trabalho desenvolvido penso que nos cabe a todos, Gonçalenses, uma palavra de agradecimento e de felicitação, já que, em apenas três anos, Bruno Pina e a sua equipa directiva conseguiram colocar em marcha as escolas de futebol, a participação do Clube nas camadas mais jovens e, por último, o regresso do Sport Clube Gonçalenses às competições seniores distritais. Soma-se a tudo isto o esforço financeiro do pagamento das dívidas anteriores e o desenvolvimento das obras dos balneários do estádio e da velhinha sede do nosso Clube que já está bem bonita...
Não haja dúvidas de que se trabalhou muito em pouco tempo e numa fase da vida do nosso país em que as instituições, públicas e privadas, passam por redobradas dificuldades.
Naturalmente que, em face deste cenário e não tendo surgido nenhuma outra lista concorrente às eleições que estavam marcadas com a legal antecedência (os críticos falam demais nos cafés e na rua mas depois  perdem o pio quando toca ao trabalhinho!), Bruno Pina e a sua equipa foram eleitos, por unanimidade e aclamação, pelos sócios do Sport Clube Gonçalense presentes.
Penso que esta reeleição foi bem merecida e penso mesmo que, finalmente, o Sport Clube Gonçalense caminha em direcção ao futuro com um rumo bem traçado, com uma liderança determinada em vencer barreiras e alcançar o sucesso, a dignidade e a glória de outros tempos.
Ao Bruno Pina, à Direcção que o acompanha e a todos os associados do Sport Clube Gonçalense, deixo uma mensagem fraterna de grande amizade, de grande consideração e votos de muitos parabéns, pela reeleição e pelo 72º aniversário de uma instituição que é um orgulho e uma inspiração para tantas gerações de Gonçalenses.

Um abraço amigo.

Pedro Pires


terça-feira, 3 de maio de 2011

ALELUIA! SANTAS FESTAS!


A nossa Vila de Gonçalo viveu mais uma Semana Santa repleta de celebrações e actividades. Trata-se de uma semana cara para a maior parte dos Gonçalenses, quer para os que vivem na Vila, quer para aqueles que, estando longe, nos vão visitando em dias de festa...
Este ano as celebrações tiveram início, como habitualmente, no Domingo de Ramos com a tradicional procissão até à capela do Espírito Santo, onde se realizou a missa campal da Paixão do Senhor.
A meio da semana (terça e quarta feira santa) teve lugar o Sagrado Lausperene que, embora pouco participado, foi um momento importante de acção de graças a Deus por todos os benefícios que tem concedido à nossa Comunidade.
Na Sexta-Feira Santa, apesar da tradicional ameaça de chuva, todos os Gonçalenses tiveram oportunidade de tomar parte nas procissões dos Passos e do Enterro do Senhor, vivendo esses sagrados momentos com grande respeito e com profunda devoção. Foram, porventura, os Passos mais participados dos últimos anos... Nas procissões participaram, com polpa e circunstância, os nossos Bombeiros Voluntários de Gonçalo, revestindo, assim, as celebrações de maior imponência.
Marcou, igualmente presença, pelo segundo ano consecutivo, o Senhor Governador Civil do Distrito da Guarda, Dr. António José Santinho Pacheco que se tornou devoto destas celebrações pascais.
À meia noite de Sábado Aleluia lá fui tocar os sinos, anunciando a ressurreição do Senhor... Pena que não reste nada desta importante tradição que ainda há uns anos atrás juntava imensa gente e muita "malta" nova que aproveitava para tirar a desforra do toque dos sinos... que chegavam a tocar mais de meia hora... Este ano tocaram dez minutos que os meus braços já não aguentaram mais!
Sábado Aleluia era o dia em que se cantavam, noutros tempos, as Alvíssaras à Santa Mãe de Deus... Ainda tentámos, há algum tempo atrás, recuperar a tradição... mas...
Na Segunda Feira de Folar foi dia de grande festa na Vila com a visita pascal a marcar o ritmo dos Gonçalenses que, de casa em casa, lá foram beijando Cristo Ressuscitado, dizendo: "Cristo Ressuscitou. Aleluia! Aleluia! 
É uma tradição muito bonita que se tem mantido de geração em geração... Este ano a equipa do Folar até pôde contar com um apoio especial do nosso "amiguinho" Nuno (filho do José Gerardo) que se juntou ao grupo e percorreu connosco a Vila de Gonçalo... Com apenas 5 anos o miúdo não negou fogo... foi sempre a andar... Parece-nos um bom presságio... a sua vontade é reveladora da continuidade da tradição... afinal de contas ... "filho de peixe sabe nadar" (o avô e o pai constituíram a Equipa de outros tempos anos a fio)...
E, pronto! Foi assim a nossa Páscoa... cheia de actividades e iniciativas...
Um abraço fraterno para todos e um cumprimento especial ao Nuno...

Pedro Pires

quinta-feira, 21 de abril de 2011

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE GONÇALO RECEBEM PRENDA DE ANIVERSÁRIO...


Entrega da Viatura VSAT aos Bombeiros de Gonçalo



Sessão Solene do 31º Anvoversário dos B.V. de Gonçalo

« O Secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco,  presidiu à comemoração do 31º aniversário da AHBV de Gonçalo, Guarda, que decorreu no passado dia 16, na qual estiveram também presentes o Presidente da Câmara Municipal e o Governador Civil do Distrito. O momento alto da comemoração foi a apresentação do Veículo de Socorro e Assistência Táctico destinado ao respectivo corpo de bombeiros, no âmbito do concurso lançado pela ANPC para aquisição de 95 viaturas financiadas pelo QREN, com a componente nacional assegurada através dos orçamentos dos governos civis. »

in www.mai.gov.pt


Veja a reportagem da Local Visão Guarda


Votos de uma Páscoa Feliz para todos...

Abraço Amigo.

Pedro Pires

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Centro Escolar de Gonçalo: Alunos aprendem Cestaria...


A Junta de Freguesia de Gonçalo, conjuntamente com a Câmara Municipal da Guarda e com o Agrupamento de Escolas da Área Urbana da Guarda, desenvolveram todos os esforços necessários para que no Centro Escolar de Gonçalo, a título excepcional, fosse autorizada a disciplina de "Introdução à Cestaria", no âmbito das AEC's - Actividades de Enriquecimento Curricular daquele estabelecimento de ensino. 
Trata-se de uma iniciativa inédita a nível nacional, porquanto se procura que nas actividades de enriquecimento curricular as crianças possam experimentar as suas próprias vivências culturais, neste projecto mais do que uma vivência, uma herança cultural riquíssima que todos temos a obrigação de agarrar e preservar a todo o custo.
As aulas de "Introdução à Cestaria" decorrem com normalidade no Centro Escolar de Gonçalo, desde o início do ano lectivo 2010/2011, todas as sextas-feiras à tarde.


Trata-se de um processo de transmissão de uma cultura e de uma arte que é a nossa própria identidade de Gonçalenses e à qual todas as nossas crianças passam, agora, a ter acesso directo e gratuito.
Se para tantas gerações de crianças Gonçalenses (como a minha por exemplo) a cestaria era algo que não estava ao nosso alcance e que apenas víamos desaparecer, gradualmente, com o tempo e com a crise instalada, já para esta nova geração que, hoje, frequenta o Centro Escolar de Gonçalo a cestaria apresenta-se como algo de diferente e verdadeiramente importante porque, na verdade, é algo que sai das suas próprias mãos e que pode despertar o seu engenho e a sua criatividade...
Orgulho-me, por isso mesmo, de pertencer a uma equipa autárquica que tem tentado fazer de tudo para recuperar a cestaria de Gonçalo... não tem sido fácil... é uma tarefa muito difícil... em que muitas ideias ficam pelo caminho ou esbarram nas burocracias da administração que temos... esta iniciativa, no entanto, foi uma iniciativa acertada e que, julgo, há-de dar os seus frutos, a seu tempo, é certo, mas há-de dar frutos...
Recorde-se que esta iniciativa se constituiu como um dos desafios lançados pela Junta de Freguesia de Gonçalo ao Presidente da Câmara Municipal da Guarda e ao Secretário de Estado da Administração Local, em Junho do ano passado, por ocasião das comemorações da elevação de Gonçalo a Vila.
A responsabilidade do financiamento é repartida entre a Junta de Freguesia de Gonçalo (a quem coube a elaboração do curriculum pedagógico da disciplina e o fornecimento dos materiais) e a Câmara Municipal da Guarda (a quem coube o financiamento do cesteiro-formador).
Dos desafios lançados pela Junta de Freguesia de Gonçalo no último aniversário da Vila constava ,também, possibilidade de vir a ser criada na Vila de Gonçalo a Escola de Artes e Ofícios da Região Centro. O objectivo  poderá ser difícil de alcançar, mas nem o céu pode ser o limite para a concretização dos nossos sonhos...
Uma coisa é certa... Gonçalo deu mais uma vez um bom exemplo a nível nacional... Pena é que tanto se critique e tão pouco se valorizem as boas ideias e as boas concretizações que. outros, que não nós, Gonçalenses, tanto apreciam e até apontam como exemplo a seguir...

Um abraço amigo.

Pedro Pires

quarta-feira, 6 de abril de 2011

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE GONÇALO ASSINALAM 31º ANIVERSÁRIO...


No próximo dia 16 Abril de 2011, os Bombeiros Voluntários de Gonçalo vão assinalar o seu 31º Aniversário. Trata-se de um momento alto na vida dos nossos soldados da Paz. A Comemoração de cada aniversário é sempre uma homenagem simples mas merecida a todos aqueles que, voluntariamente, dedicam muito do seu tempo ao serviço dos outros, numa missão tão importante como é da protecção e socorro de pessoas e bens. Mas para além de uma homenagem a todos os bombeiros voluntários, a celebração do aniversário pretende ser, também, uma homenagem às suas famílias que, em cada missão, após cada toque da sirene ficam de coração apertado, fruto dos enormes perigos a que, tantas vezes, estes homens e mulheres são expostos.
"Voluntários na missão... Profissionais na acção..."- eis o tópico intemporal da Liga de Bombeiros Portugueses. 
Que por ocasião das comemorações do seu 31º Aniversário, a população de Gonçalo possa reconhecer o importante valor que têm os bombeiros voluntários, sempre prontos, no serviço à comunidade...
Num tempo marcado por sentimentos tão negativos, possam brotar dos corações de todos os Gonçalenses, não a crítica barata, não os comentários injustos do costume, mas sim um verdadeiro sentido de reconhecimento pelo importante papel que esta instituição tem desempenhado ao longo dos seus 31 anos de existência...

Muitos Parabéns aos Voluntários de Gonçalo e muitos anos de vida...

Um abraço amigo.

Pedro Pires

quarta-feira, 30 de março de 2011

Na passada 2ª Feira voltei aos bancos da minha Escola Primária...


Na passada segunda-feira voltei, com muita alegria, aos bancos da minha escola primária. A convite da coordenadora da biblioteca escolar de Gonçalo "Elvira Esteves Aires" lá fui ler uma história aos alunos, actividade inserida numa semana dedicada ao livro e à leitura. Antecederam-me, nesta importante missão de  exemplo e testemunho, a Senhora Presidente da Assembleia de Freguesia de Gonçalo, Dra. Maria Arlete e o Senhor Governador Civil do Distrito da Guarda, Dr. António Santinho Pacheco. 
Foi com grande emoção que vivi aquele início de manhã em que pude partilhar algo tão importante como a leitura com os nossos meninos. Por momentos revivi mentalmente os meus tempos de aluno naquela escola. E pude facilmente constatar as grandes transformações que aquele espaço sofreu... afinal de contas eu estava a ler uma um conto numa biblioteca escolar que fica mesmo em cima do nosso antigo espaço de recreio... onde corríamos e saltávamos pelo meio da terra...
Na verdade, a minha velhinha escola primária deu lugar a um moderno e confortável Centro Escolar... um equipamento de referência para a nossa terra...
Mas, voltando à minha leitura... Tendo em conta que o tema da área de projecto da escola, este ano, é a floresta escolhi um conto de Isabel Alçada, Ministra da Educação (os professores é que não aprovaram muito a minha escolha... houve gargalhadas e alguma tosse). 
Os alunos, esses, ouviram, com toda a atenção, o conto "Há fogo na floresta", uma boa lição pedagógica de prevenção dos fogos florestais (eu sou daqueles que acreditam que é incutindo nas crianças estes valores que vamos conseguir mudar um "pouquinho" do mundo, no futuro).
No final houve tempo para o tradicional resumo e para meia dúzia de perguntinhas!
E, enquanto descia as escadas para a saída recordei, com nostalgia, as correrias de outros tempos... os vidros que de vez em quando se partiam, a D. Graziela a correr atrás de nós... e muitos, muitos amigos de sempre... 
Foi bom voltar à escola!

Pedro Pires


sexta-feira, 18 de março de 2011

PENSAMENTOS...

«Não se escreve com emoções; escreve-se com a memória. Como um oleiro, ao trabalhar num vaso, quando escrevo estou só preocupado em transformar essa memória em palavras, em música. 'Sentir sinta quem lê', como dizia Fernando Pessoa»

                                                                                                                                                                             Eugénio de Andrade (1923-2005)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Carvalho Grande foi classificado como árvore de interesse público nacional

Foto de www.scgoncalense.blogspot.com
Em tempos tão conturbados, eis uma boa notícia para todos os Gonçalenses e para aqueles que se preocupam com a preservação do património da nossa terra. Por despacho de 2 de Fevereiro de 2011,  do Presidente da Autoridade Florestal Nacional, dado a conhecer, ontem, à Freguesia de Gonçalo, o nosso Carvalho Grande foi  finalmente classificado como árvore de interesse público, através do Aviso nº2/2011 da AFN.
O Carvalho Grande passa agora a ter um "Bilhete de Identidade" que o identifica e que garantirá para o futuro os maiores cuidados com a sua preservação e conservação.
De acordo o documento remetido à Junta de Freguesia de Gonçalo, o Carvalho Grande é descrito da seguinte forma:
«Exemplar centenário de porte notável, situado na entrada da Vila de Gonçalo, conhecido por "Carvalho Santo", que é alvo de grande carinho e devoção pela população local. Carvalho de grande valor histórico e cultural por estar associado ao culto de Nossa Senhora da Misericórdia. Todos os anos a tradicional procissão que se realiza a 7 e 8 de Setembro, entre a sua capela nas Quintas de Nossa Senhora da Misericórdia e a sede da Freguesia começa e acaba no Carvalho Santo, sob cuja copa a imagem é simbolicamente colocada.
O Sociólogo Moisés Espírito Santo na sua obra "Fontes Remotas da Cultura Portuguesa" reconhece no Carvalho Santo a verdadeira origem do topónimo Gonçalo, que deriva do vocábulo "carvalho" e que foi objecto de oráculos.»
Esta classificação confere, agora, ao nosso Carvalho Grande o direito a uma área envolvente de protecção e a garantia de que para qualquer intervenção na árvore ou na zona de protecção tem que haver uma autorização  prévia da Autoridade Florestal Nacional. Importa agora que a Junta de Freguesia tenha algumas ideias e conceba um pequeno projecto de revitalização do espaço envolvente... o nosso Carvalho Grande bem o merece...

Pedro Pires

terça-feira, 1 de março de 2011

COIMBRA é mesmo uma lição em que se aprende a dizer SAUDADE...

«COIMBRA
Eu te canto Coimbra sem idade
As horas e os dias de saudade
A torre do alto rasga o espaço
De sonhos, de rio e enlace

Com o Zeca e Adriano feitos de amor
O penedo, o choupal, a eternidade
Com Pedro e Inês em clamor
 Num hino de luz à mocidade

És um sonho de ira, uma miragem
O tempo que passou ficando
Resta de ti em pensamento, a tua imagem
Dos passos na calçada murmurando

Eu te canto Coimbra sem idade»
(Fado de Coimbra)

Hoje é dia 1 de Março, dia da Universidade de Coimbra. Para quem não sabe a Universidade de Coimbra remonta ao século XIII, precisamente a 1 de Março de 1290, quando foi assinado em Leiria, por D. Dinis, o documento Scientiae thesaurus mirabilis, que institui a própria Universidade e pede ao Papa a confirmação. Trata-se da mais antiga Universidade Portuguesa e uma das mais antigas Universidades da Europa.
É sempre com nostalgia e saudade, aquela saudade muito especial e única que se aprende a sentir na mística e encantadora cidade de Coimbra, que recordo os meus tempos de estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra...
O dia 1 de Março era um dia muito espacial nos meus tempos académicos... acima de tudo era um dia de descanso para todos os estudantes... Normalmente aproveitávamos para dar um passeio pelo jardim botânico, se o dia estivesse solarengo...
Falar de Coimbra traz-me sempre aos olhos uma lágrima de emoção... pelas boas recordações de menino do interior que chega a uma Universidade grande, onde se respira História... onde é impossível não se deixar apaixonar pelo Mondego, pela Lapa ou pelo Choupal, imponente...
Recordar Coimbra é lembrar bons amigos como o Telmo (o meu afilhado) ou a Rita (minha boa amiga de sempre) companheira de tantas lutas...
Recordar Coimbra é ter no ouvido o som das guitarras e do fado... Recordar Coimbra é sentir o calor e a emoção das serenatas na Sé Velha... e os gritos académicos dos cortejos e das manifes...
Recordar Coimbra é sentir arder cá por dentro o orgulho de ser estudante de uma magna academia...
Recordar Coimbra é lembrar os bons tempos passados na casa da Madeira e no Cartola, onde se bebia um café esplêndido!
Recordar Coimbra é sentir que valeu a pena viver cinco anos da minha vida numa cidade de encantos... numa cidade em que se respira o espírito académico e em que se consegue sonhar, que mais não seja bebendo um copo e ouvindo cantar um fado...
Jamais poderei agradecer o suficiente aos meus pais pelos sacrifícios enormes que fizeram para me poderem proporcionar esta experiência que marcou, para sempre, a minha vida.
Julgo que valeu a pena... julgo que valeu mesmo a pena...
Bem-Hajam...
Um abraço especial a todos aqueles que vestiram a capa e a batina da velhinha Universidade de Coimbra e que, certamente, partilham comigo, hoje, este sentimento tão nosso ... a Saudade!

Aqui fica um belíssimo fado da serenata de Coimbra...para recordar velhos tempos...



Pedro Pires

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

PRIORIDADES... (Vale a pena ler e reflectir...)

Penso que questionamos muito poucas vezes a hierarquização das prioridades nas nossas vidas. Muitas vezes, quando damos conta, já não vamos a tempo de remediar o que está feito... porque "o que está feito, feito está..."
Desperdiçamos tantas horas e tantos dias com coisas tão ridículas e tão inúteis que nem damos conta que, mesmo à nossa beira, está o que de mais valioso existe nas nossas vidas...
A propósito de prioridades, gostava de partilhar convosco um texto muito interessante que encontrei, por acaso, há dias, num blogue que visitei:

«O Frasco de Maionese
Um professor de filosofia iniciou a aula em silêncio, colocando alguns objectos em cima da secretária à sua frente. Como não dizia nada, os alunos começaram a mexer-se nas cadeiras, primeiro, depois a cochichar uns com os outros. Todos se calaram quando ele começou a encher um grande frasco de vidro com um determinado número de bolas de golfe, até ficar cheio.
Depois perguntou à turma: “O frasco está cheio?” e todos concordaram que sim, o frasco estava cheio, nem mais uma bola de golfe lá caberia. 
O professor então pegou num saquinho de seixos pequenos e despejou-o dentro do frasco. Os seixos rebolaram pelos espaços entre as bolas de golfe e assim o professor despejou o saquinho.
Em seguinda perguntou à turma: “O frasco está cheio?” e os alunos, agora mais atentos, responderam que sim, que agora estava cheio. 
Sem dizer uma palavra, pegou num saquinho com areia e começou a despejá-la dentro do frasco. À medida que os grãzinhos se infiltravam nos espaços livres deixados pelas bolas de golfe e pelos seixos, alguns alunos começavam a rir-se, divertidos, a ver onde aquilo iria chegar. Não poderia ir muito mais longe, afinal quantas mais coisas se poderiam enfiar naquele frasco de vidro? Quando terminou de despejar toda a areia, o professor perguntou de novo: “O frasco está cheio?” e todos concordaram que, antes realmente não estava, mas agora está, definitivamente cheio. 
Então o professor emitiu um sorriso rasgado e retirou duas chávenas de café de debaixo da secretária e começou a despejá-las para dentro do frasco. Os alunos começaram todos a rir, não só da esperteza do professor, mas também da própria ignorância, como se tivessem sido apanhados numa partida. O café escorreu das chávenas até à última gota, preenchendo os espaços deixados livres pela areia. 
“Agora”, disse o professor, “gostaria de comparar o frasco com a vossa vida. As bolas de golfe são as coisas mais importantes para vocês: A saúde, a família, o dinheiro, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São as coisas que, mesmo que o resto desaparecesse, a vossa vida ainda assim seria completa.
Os seixos são as outras coisas de muita importância nas vossas vidas, como a casa, o carro ou o emprego.
A areia representa tudo o resto. As coisas pequenas, os pequenos caprichos, as preguiças de fim de semana, os passeios, a comida e a bebida, enfim, o que para cada um fôr pouco importante. 
Quem entendeu esta lição?”-alguns alunos levantaram a mão e, a um sinal do professor, um deles respondeu: 
“Isto significa que, se fizermos primeiro as coisas mais importantes, teremos tempo para fazer tudo o que precisamos.” 
“Muito bem”, atalhou o professor, “mas não só isso! O facto é que se colocares primeiro a areia no frasco, os seixos já não caberão. E se colocares primeiro os seixos, as bolas de golfe já não caberão. Ou seja, se gastares a maior parte do teu tempo e da tua energia com a areia, não podes esperar possuir também as bolas de golfe e, aos poucos, a tua vida deixa de fazer sentido. Presta atenção às coisas que são críticas para a tua felicidade e coloca-as à frente de tudo, em tempo e importância. Brinca com os teus filhos, dá um mimo à tua mãe, ou à tua esposa ou esposo conversa com o teu pai e o teu filho pequenino, toma conta de ti, do teu bem.estar e da tua saúde física, mental e financeira.” 
Um dos alunos então, levantou a mão e perguntou: “Então e as chávenas de café?”
O professor sorriu “ainda bem que há alguém atento na sala!” e respondeu:
“As chávenas de café são somente para mostrar que, por muito cheia que a tua vida possa parecer... há sempre tempo para um cafezinho e dois dedos de conversa com o teu melhor amigo”.»

Por Rui Gabriel, in  http://ziglo.blogspot.com

Penso que vale realmente a pensa pensar nisto...
Um bom final de semana para todos...Bom descanso, se for caso disso.

Abraço amigo,
Pedro Pires

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

IN MEMORIAM...


“Morrer é, afinal de contas, o que há de mais normal e corrente na vida, facto de pura rotina, episódio da interminável herança de pais a filhos pelo menos desde Adão e Eva. in "As Intermitências da Morte", José Saramago

Por mais que convivamos diariamente com a morte, ainda que tantas vezes de forma irreflectida, a verdade é que não nos conseguimos adaptar aos sentimentos de tão profunda dor que ela é capaz de provocar em cada um de nós.
Não! Não venho aqui, hoje, falar de morte! Venho falar de vida e de memórias... as boas memórias que me fazem recordar a minha avó Gracinda como uma mulher cheia de vida... uma vida longa e, de alguma forma, uma vida muito Feliz... rodeada de gente que a amou muito com o coração e com a alma...
Na semana passada quis Deus chamá-la à sua divina presença... quem somos nós para questionar a justiça de Deus?!
Ainda assim, como bem me referia há dias um amigo meu, a verdade é que os que são nossos e que nós amamos nunca são velhos para morrer... porque são nossos, fazem parte de nós, das nossas vidas, do nosso mundo... E, é por isso que, mesmo sabendo que a minha avó Gracinda viveu 95 anos de vida, de uma vida boa, com saúde e amor, não consigo calar a mágoa que inunda o meu coração e a dor e a saudade que, em cada noite, em cada manhã, me atrofiam a alma e a força.
Conforta-me a Fé e certeza de que a alma forte e viva da minha avó vela, agora, por nós junto de Deus...
Afinal de contas, como bem escreveu o Apóstolo Paulo, se apenas acreditarmos na morte e rejeitarmos a vida restaurada em Cristo, então, é completamente vã a nossa Fé...
Que a minha avozinha descanse, agora, em Paz...

Aproveito esta ocasião para, em meu nome pessoal e em nome da minha família agradecer reconhecidamente a todos aqueles que, neste momento tão difícil, partilharam connosco a nossa dor e nos transmitiram a sua amizade e o seu apoio.

Pedro Pires

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

VIGO: RÚA DOS CESTEIROS...

Ontem, no tradicional passeio de domingo que fiz com a minha esposa, quando dei por mim estava às portas da cidade de Vigo, na Galiza, a cerca de 40 Km de Melgaço, onde pernoitei. 
Sempre tive uma curiosidade imensa de conhecer a cidade de Vigo. Não por ser uma importante cidade portuária da Galiza, não pelas belíssimas praias que a circundam, não pela paisagem natural que funde numa sinestesia harmoniosa os sabores e as sensações da serra e do mar, mas porque para aquela cidade rumaram, nos primeiros anos do Séc.XX, gerações de cesteiros Gonçalenses que por ali deixaram marcas... marcas profundas que, ainda hoje, povoam o imaginário e a história da cidade de Vigo.
Naturalmente que eu já sabia de antemão que para poder contactar de perto com as marcas deixadas pelos cesteiros da minha terra naquela cidade tinha forçosamente de conseguir chegar à "Rúa dos Cesteiros".
Mas a minha tarefa não foi fácil! Só depois de muitas voltas à cidade e com o GPS "bem afinado" é que conseguimos, finalmente, descobrir a tão famosa "Rúa dos Cesteiros". Depois de passar pela "Plaza de la cosntitución" foi difícil para mim esconder a emoção ao pisar o ladrilho granítico daquela rua onde, apesar de despida dos cestos amontoados que eu imaginava junto ao casario, ainda assim, pude sentir aquele cheiro do vime que só quem cresceu a brincar junto às "gamelas", como eu, é capaz de identificar e de sentir com saudade...
Percorri toda a rua, mais que uma vez, para cima e para baixo, admirei, contemplei e infelizmente não consegui ver muito. Era domingo... e ao domingo em Espanha tudo encerra...
Mas não pude deixar de observar uma placa identificativa de uma das "oficinas" - é assim que chamam às lojas de cestos - na placa estava escrito "José Suarez - Cesteiro". E, pensei, em Gonçalo temos muita gente com a apelido de "Soares"... mas infelizmente não vi ninguém... a rua dos cesteiros estava deserta... mas, ainda assim, a emoção de estar ali transformara-a, só para mim, na rua mais importante e movimentada da cidade de Vigo... Afinal de contas naquela rua viveram, pelo menos, quatro gerações da minha gente, da gente da minha terra que espalhou pelo mundo a nossa cultura, a nossa arte, a nossa identidade...
A Catarina olhava para mim com um semblante admirado, sem perceber muito bem o que me ia na alma!..
Gostei de ir a Vigo e de ter passado pela "Rúa dos Cesteiros". E fiquei mais sensibilizado para o estreitar de relações culturais entre Gonçalo e Vigo... Une-nos a mesma cultura, a mesma gente (pelo menos quatro gerações de descendentes Gonçalenses) e a mesma identidade... a Cestaria...

Pedro Pires


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Reflexões e Pensamentos...

No dia da comemoração de mais um aniversário do nascimento do maior vulto do Romantismo Português, Almeida Garrett, partilho convosco um excerto das "Viagens..." com uma mensagem que, infelizmente, continua bem actual...

"Mais umas poucas Dúzias de Homens Ricos
Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis."

Almeida Garrett, in 'Viagens na minha Terra'

Abraço amigo.
Pedro Pires

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Bombeiros Voluntários de Gonçalo lançam campanha de angariação de fundos...

Os Bombeiros Voluntários de Gonçalo, em face das enormes dificuldades e constrangimentos financeiros, lançaram esta semana uma campanha de angariação de fundos.
O desafio foi lançado a todos os Gonçalenses residentes e aos filhos de Gonçalo espalhados pelos quatro cantos do mundo. 
O objectivo primeiro é saldar o passivo da Associação Humanitária que foi sendo acumulado ao longo dos anos fruto dos constantes cortes orçamentais...
No Ano do Voluntariado que todos possamos dar o nosso contributo para uma Associação de cuja  intervenção todos um dia, mais cedo ou mais tarde, acabamos por necessitar...
Não deixe de colaborar... Que todos passemos palavra uns aos outros numa verdadeira corrente de solidariedade para com esta importante Instituição da nossa terra...
Afinal de contas... os Bombeiros de Gonçalo precisam da nossa ajuda!

Abraço amigo.

Pedro Pires

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Largo Olival do Corro e a sua relação com a República...


Como é do conhecimento de todos, no passado dia 5 de Outubro de 2010 assinalámos o Centenário da República Portuguesa.
Por todo o país, a cada recanto, subsistem, para memória do Povo, importantes símbolos que lembram a grande luta dos Portugueses pelos valores Republicanos da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade que ecoam pela Europa desde a grande Revolução Francesa.
E, em Gonçalo, por tradição terra de gente esclarecida e lutadora, esses valores ecoaram também pelas ruas e pelas praças, pois assim se justifica que deles se tenha erguido, como símbolo de memória, a escultura que serve de topo à fonte do mais importe largo da vila de Gonçalo.
Embora muitos possam não saber, trata-se de uma escultura que pretende personificar a República, através da sua mais perfeita representação, o barrete frígio ou mais conhecido como barrete da liberdade.
O barrete frígio era uma espécie de touca ou carapuça originalmente usada pelos habitantes da Frígia, uma antiga região da Ásia Menor, localizada onde hoje se situa a Turquia. O barrete frígio ou barrete da liberdade, como mais tarde ficou a ser conhecido, foi escolhido e usado, em tons de vermelho, pelos republicanos franceses que lutaram na Revolução Francesa, na tomada da Bastilha, em 1789. A Revolução teve como consequência directa a instauração da primeira república francesa em 1793.
Daí em diante, o barrete frígio foi transformado no mais importante e significativo símbolo do ideário republicano.
Ora, é esse mesmo símbolo que podemos ver representado na fonte do Olival do Corro e que prova o envolvimento do Povo de Gonçalo na luta pela implantação do regime republicano.
Trata-se, no meu entendimento, de uma escultura ímpar da história da nossa terra e que, não raras vezes, tem sido desprezada e ignorada por todos nós.
Pela minha parte, agora que o largo foi devidamente arranjado, não deixarei de propor um tratamento especial para a fonte do Olival do Corro. Afinal de contas tem a coroá-la um dos mais importantes símbolos do ideário republicano o barrete frígio ou barrete da liberdade... E o Povo de Gonçalo, na sua história, já deu provas na luta e no respeito pela Liberdade...

Pedro Pires

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sobre as Eleições Presidenciais 2011...


«Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%.»
                                         José Saramago, in "Ensaio Sobre a Lucidez"
Um dos piores cenários a ter em conta no nosso actual sistema político que se apelida de democrático é encarar a possibilidade de um dia poder vir a verificar-se uma rejeição total de todas as propostas eleitorais apresentadas. Estou certo  que tal acontecimento marcaria, indubitavelmente, o ponto da partida para uma verdadeira reflexão sobre o sistema político vigente, o seu carácter democrático ou antidemocrático, "a cegueira do povo" ou mesmo, até, porque não, "a sua repentina lucidez"...
E lembrei-me de tudo isto a propósito do acto eleitoral que terá lugar no próximo domingo. Efectivamente, há muito que reflicto acerca do conteúdo desta obra brilhante, sob ponto de vista literário e do pensamento político dos nossos dias, o "Ensaio Sobre a Lucidez", do saudoso José Saramago.
Nos tempos social e politicamente conturbados que vivemos, não estava à espera de vir a ser, nem por sombras, expectador de uma campanha eleitoral para as Presidenciais 2011 tão miserável e tão vazia de conteúdo político...
Não tenho, aliás, memória de uma campanha eleitoral tão fraca, tão tristemente pobre como aquela a que temos todos assistido.
Na verdade, o que me parece que tem vindo a ser valorizado nesta campanha é, única e exclusivamente, o poder presidencial de lançar ou não a "bomba atómica" da dissolução do parlamento. É como se o uso de tal competência do futuro Presidente da República, resumisse, enfim, todas as propostas de acção/actuação que um candidato tem a obrigação  de apresentar ao eleitorado.
Que pobreza!... Uma pobreza que se nota, ainda mais, quando se tentam deitar para o caldeirão da campanha presidencial ingredientes como BPN, BPP e outros tantos assuntos que tais...
Não tenho dúvidas que o confronto maior se centra em torno das figuras de Manuel Alegre e Cavaco Silva... pois na verdade trata-se de um confronto que vai muito além dos próprios candidatos e que entra muito para dentro das portas dos partidos políticos... O PSD vê na eleição de Cavaco Silva um estágio de preparação para as eleições legislativas que Cavaco, se vier a ser Presidente, há-de, com calma e paciência, cozinhar (cá se fazem, cá se pagam)...
O PS segue "Alegremente" de punho erguido mas arrastado, atrás de um candidato que se lhe impôs, estrategicamente, antes de tempo... e quanto a isto... não há nada a fazer...
Sempre tenho dito (e eu que nem gosto do Cavaco, nunca gostei) que teria sido mais útil à estabilidade do país e à sobrevivência do Governo que o PS tivesse optado pelo apoio ao Presidente Cavaco Silva... mas enfim, o que está feito, feito está...
A juntar à festa não posso deixar de comentar a singularidade da candidatura de José Coelho (o Tiririca da Madeira)  que, afinal de contas, é quem tem animado esta campanha com boa disposição e críticas à mistura "ridendo castigat mores" - "a rir a rir criticam-se os costumes" - Não era essa a técnica de Gil Vicente? O que é certo é que no meio de tanta "loucura" sobressaem, efectivamente, algumas verdades nuas e cruas... Acerca do candidato apoiado pelo PCP ... não teço comentários... no fim de contas a mensagem é sempre a mesma, a mensagem é sempre igual e desactualizada... será que ainda não deram conta disso?
É por tudo isto que termino com a reflexão com que iniciei este post. Não seria este um daqueles momentos em que se poderia aplicar o cenário do "Ensaio sobre a Lucidez"? E se se aplicasse? Será que resultaria daí uma nova esperança? Valerá a pena o voto em branco, pelo menos para fazer um aviso sério à navegação? Não sei... sinceramente não sei... mas acho que não.

Pedro Pires



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

AS JANEIRAS...


Pelo terceiro ano consecutivo a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Gonçalo anima as noites frias deste início de ano novo contando as tão tradicionais "Janeiras".
Trata-se de uma forma de reavivar esta secular tradição que possibilita o contributo dos Gonçalenses para uma causa que é de todos...
Em tempos tão conturbados e em que a tendência parecer ser a de "deitar a toalha ao chão" em face das dificuldades, os nossos Bombeiros mostram-nos como a capacidade de mobilização e de iniciativa podem fazer toda a diferença.
Possamos, pois, todos viver estas "Janeiras" com grande alegria e entende-las como um canto de incentivo a um ano novo cheio de projectos e concretizações... já que a boa vontade é o primeiro passo para que se possa alcançar um objectivo.
Mas, ao falar de "Janeiras" não consigo ceder à tentação de recordar os meus tempos de criança em que, tal como tantos outros, nos organizávamos em grupos para percorrermos a vila a cumprir aquilo que nos ensinaram ser uma "tradição".
A concorrência era feroz e, não raras vezes, competíamos seriamente com inovações. Lembro que os instrumentos eram, na maioria dos casos, caixas de papelão que serviam de bombos... Só numa fase muito posterior começaram a aparecer as violas, algumas daquelas de plástico que se compravam nas feiras ou na loja da Menina Sara (onde hoje é o escritório do Duarte) ou do Senhor Américo que, na altura do natal, recheavam as montras de brinquedos para todos os gostos...
Ainda hoje sei de cor a cantiga que cantávamos e não resisto a escrever a aqui a letra:

"Ainda agora aqui cheguei,
Já pus o pé na escada
logo o meu coração disse
que aqui mora gente honrada.
Levante-se lá senhora
desse banquinho de prata
venha-nos dar as janeiras 
que está um frio que mata.
Levante-se lá senhora
desse banquinho de cortiça
venha-nos dar as janeiras
ou morcela ou chouriça."

Ainda hoje não sei como aprendi isto, mas o que é certo é que toda a gente cantava assim. E, se nos fechassem a porta ou apagassem a luz, aí sim, é que era festa. Cantávamos assim e depois corríamos rua fora, não fossem atirar-nos com um balde de água fria :

"Estas casas são tão altas
forradas de papelão
Deus queira que venha uma ventania
e as deite todas ao chão"

ou ainda:
"Esterlinca martelinho
e torna a esterlincar
estas barbas de farelo
não tem nada para nos dar"

Hoje, os tempos são outros... Este ano, que lembre, apenas vi um grupinho de rapazes na rua a tirar as janeiras... E, é pois, por isso, que devemos valorizar muito a iniciativa dos nossos Bombeiros... pelo seu enorme contributo para a perpetuação no tempo desta linda tradição. 

Pedro Pires


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Interior com cada vez mais interioridade?...

Nunca, como hoje, fez tanto sentido a célebre expressão "Portugal é Lisboa, o resto é... paisagem..."
E, falo assim porque, efectivamente, durante as últimas décadas todos nós, "resistentes" do Interior de Portugal, fomos abafando as nossas mágoas de coração aberto às expectativas que nos foram criadas, por sucessivos governos, de que um dia haveríamos de ser compensados pelo nosso óbvio subdesenvolvimento, através de medidas de discriminação positiva.
Tem sido, aliás, apanágio de todas as campanhas políticas das últimas décadas o anúncio, "à boca cheia" (como diz o povo), de medidas, extraordinariamente importantes, para o desenvolvimento do Interior de Portugal.
No que ao Distrito da Guarda diz respeito, permito-me destacar como verdadeiramente importantes e na prática, efectivamente executadas, apenas duas grandes medidas, ambas do tempo do Governo do Eng. Guterres. Refiro-me, concretamente, à construção, até à Guarda, das Auto-Estradas A23 e A25, que transformaram a cidade mais alta num importante eixo transfronteiriço (infelizmente mal aproveitado) e à chegada do gás natural ao Distrito, que nos conferiu ganhos enormíssimos, no que diz respeito ao nosso grau de competitividade em termos regionais.
Perdoem-me todos aqueles que discordem mas, além destas duas medidas (acessibilidade/proximidade e aumento de competitividade) o interior continuou o seu caminho rumo a cada vez mais interioridade.
Parece, mesmo, que existe uma barreira psicológica que nos separa do litoral desenvolvido, onde há mais miséria é certo, mas onde há, também, mais oportunidades...
Tem sido fácil, demasiado fácil até, atirar para o ar os grandes chavões do desenvolvimento da nossa região. Tantas vezes se têm apontado o turismo, a natureza, os rios, a paisagem, as aldeias históricas, a serra e as serras e, até, a pureza do nosso ar como solução para ultrapassar todos os obstáculos de crescimento e de desenvolvimento do Interior... Tantas ideias, tantos projectos, tantas perspectivas... mas para quê? Se na hora da verdade o que conta são os números... Efectivamente aquilo que mais nos falta é gente... tanta e tanta gente que se viu (e continua a ver) obrigada pelo destino a cortar as suas raízes à terra que a viu nascer e crescer para ir em busca de uma vida melhor... uma vida que tenha uma qualidade superior àquela que deixa para trás... ou não (pois, infelizmente, nem sempre é assim)...
A gente que partiu e deixou o litoral "a rebentar pelas costuras" é a mesma gente que faz, hoje, tanta falta a estas terras de interior, tão abandonadas, tão perdidas, tão envelhecidas...
O Distrito da Guarda com os seus 180 mil habitantes é uma pequena partícula, se comparado com qualquer Município da grande Lisboa... Por isso, que adianta termos ideias? Que adianta termos projectos? A verdade nua e crua é que continuarão a olhar para nós como a eterna coutada de caça onde apenas vêm para ver a neve, para se divertirem e para se deliciarem com os nossos sabores (o bom queijo da serra e os bons enchidos)... Sejamos honestos. É ou não é assim?!
E, depois, de vez em quando, passam por aqui para nos anunciarem benefícios fiscais para as empresas e mais uns tantos milhõeszecos de euros em investimentos que, tantas vezes, já chegam tarde demais... e outros que chegam mesmo a ser cancelados devido à crise (vejam-se os tão falados IC6, IC7 e IC37 que eu ajudei convictamente a ajudar a anunciar pelo Distrito, enquanto representante do Governo).
Hoje escrevo e falo com mágoa, com muita mágoa... e com a desilusão que apenas pode caracterizar quem um dia ingenuamente acreditou na política... mas, meus amigos, a política é como uma porção mágica, é capaz de permitir a transformação do mundo... tem, no entanto, apenas uma contra-indicação... depende de quem a usa... pois tanto pode ser usada para o bem como pode ser usada para o mal... E, quando a política é usada para o bem sentimo-nos orgulhosos, verdadeiramente realizados com a obra que nasce para serviço e bem estar de todos...
A nossa região de interior necessita hoje, mais do que nunca, de encontrar novos caminhos, novos líderes, novas ideias, novos desafios... E necessita também de novos incentivos, de verdadeiros incentivos à fixação das populações. E as populações só se fixam onde há trabalho, porque onde há trabalho há riqueza e há protecção social.
A empresa "Coficab", uma das poucas resistentes na região, queixava-se esta semana dos prejuízos causados pelos aumentos da energia eléctrica. 
Uma das nossas fragilidades, no que respeita à nossa competitividade, é o elevado custo dos consumos energéticos, fruto da nossa localização em zona de montanha e do frio que por aqui se faz sentir.
Ora se queremos verdadeiramente aumentar a nossa competitividade, atrair empresas para a Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial e fixar população, cabe-nos a todos reclamar como verdadeira medida de discriminação positiva um abaixamento dos custos energéticos (electricidade, gás e combustíveis).  Não nos podemos esquecer que nós, nesta região, por causa das baixas temperaturas gastamos o dobro dos cidadãos do litoral em custos, por exemplo, com o aquecimento.
Estou plenamente convicto de que, assim, poderemos aspirar ser, finalmente, um Interior com cada vez menos interioridade, ou não? Então se os Açores e a Madeira podem beneficiar de regimes de excepção porque é que nós não podemos também? Ai! Já me esquecia, ainda continuamos a aguardar pela Regionalização...

Pedro Pires